quinta-feira, 12 de abril de 2012


O quanto eu te amo?

 

 


Naquela manhã, Humberto foi ver o desenvolvimento da sua pequenina horta, onde havia plantado alguns pés de couve, cebolinha e almeirão. Apreciava verduras e por isso é que gostava de observar o seu crescimento, contar as novas folhinhas que surgiam... Enquanto olhava para elas, descobriu que algumas formigas estavam devorando várias das folhas mais tenras. À vista desse fato, indignado, ele resolveu espalhar um pouco de veneno aqui e acolá, para ver se exterminava esses insetos tão incômodos.

Feito isto, o menino assentou-se bem ao lado dos canteiros, a fim de constatar o resultado da sua ação. Mal acabou de se acomodar, quando notou o aparecimento de uma formiga. Esta parou junto ao discreto amontoado do veneno e comeu dele um bocado. Depois andou vagarosamente uma insignificante distância e parou. Quis andar um pouco mais; as perninhas, porém, recusavam-se a avançar. Caiu e ficou virada para cima. Estava mortinha. Ao vê-la tombada e inerte, disse o menino com seus botões:

- Bem feito! Você não poderá jamais voltar a minha horta, para devorar as folhas das verduras que plantei com tanto cuidado.

Não demorou muito tempo até que outra formiga apareceu, vindo do lado oposto. Ia passando pela companheira morta, mas parou quando a viu. Carregava uma folha às costas que, ao parar, deixou cair ao solo. Depois, com redobrado esforço, agarrou a companheira e passo a passo conduziu-a para o formigueiro. Naquele momento, Humberto sentiu na sua própria consciência uma acusação que o sentenciava:

- A formiga que você matou deu-lhe uma lição de vida, mostrando qual deve ser a sua atitude para com o seu próximo.

Sentiu-se envergonhado de si mesmo, embora certo de que as formigas são nocivas porque destroem as plantações. Mas foi esse incidente que o fez pensar nas muitas vezes quando havia passado ao lado de pessoas necessitadas, doentes, cansadas e aflitas, sem demonstrar o menor gesto de comiseração, deixando-as, portanto, entregues a si mesmas em suas misérias, tristezas e sofrimentos.


Foi, sem dúvida, um momento de profunda reflexão para o menino, agora cheio de recordações desagradáveis a respeito de seus gestos, suas ações e suas indiferenças. Ainda ao lado dos seus canteiros, Humberto parecia ouvir brotar subitamente do seu coração o eco da voz do Senhor Jesus a admoestá-lo:

- Amai-vos uns aos outros assim como eu vos amei. A esta recomendação de tão singular responsabilidade, o apóstolo Paulo faz coro, sugerindo também:
- Levai as cargas uns dos outros.

Autor:Desconhecido

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