terça-feira, 17 de janeiro de 2012


Pão velho


Era um fim de tarde de sábado. Eu estava molhando o jardim da minha  casa, quando vi um menino parado junto  ao portão,  me olhando.  - Dona, tem pão velho? - perguntou ele.
Essa coisa de pedir pão velho sempre me incomodou... Olhei para aquele menino tão nostálgico e perguntei: - Onde Você mora?  - Depois do zoológico.

- Bem longe, hein?  - É... mas eu tenho que pedir as coisas para comer.  - Você está na escola?
- Não. Minha mãe não pode comprar material.
- Seu pai mora com vocês?  - Ele sumiu...

E o papo prosseguiu, até que eu disse: - Vou buscar o pão. Serve pão novo?  - Não precisa, não. A senhora já conversou comigo, isso é suficiente.
Esta resposta caiu em mim como um raio. Tive a sensação de ter absorvido toda a solidão e a falta de amor daquela criança. Tão nova e já sem sonhos, sem brinquedos, sem comida, sem escola e tão necessitada de um papo, de uma conversa amiga.
Quantas lições podemos tirar desta resposta:
"Não precisa, não. A senhora já conversou comigo, isso é suficiente!"
Que poder mágico tem o gesto de falar e ouvir com amor! Os anos se passaram e continuam pedindo “pão velho" na minha casa... E eu dando "pão novo", mas procurando antes compartilhar o pão das pequenas conversas, o pão dos gestos que acolhem e promovem.

Este pão de amor não fica velho, porque é fabricado no coração de quem acredita Naquele que disse: “Eu sou o pão da vida!” Verifique quantas pessoas talvez estejam esperando uma só palavra sua...
Rivalcir 

Nenhum comentário:

Postar um comentário